Sacolas plásticas
têm dias contados em BH
Lei municipal
exigirá que o comércio adote sacolas
ecológicas
Por
Tatiana Ferreira e Adriano Meireles
(7º período -
jornalismo UNI-BH)
tatyfs.br@gmail.com
/ jornalismoadriano@hotmail.com
Até 27 de fevereiro de 2011, todos os
estabelecimentos privados, além de
órgãos e entidades do Poder Público em
Belo Horizonte, deverão substituir o
uso de sacolas
plásticas por sacolas ecológicas. A
lei municipal nº
9.529/2008 será
obrigatória a partir desta data, mas
alguns estabelecimentos já começaram a
adotar soluções como as sacolas
oxibiodegradáveis.
Essas sacolas possuem um aditivo que é
acrescentado ao plástico convencional, o
que permite a desintegração das sacolas
em no máximo 18 meses após o contato com
o oxigênio, luz e calor. A solução
ecologicamente correta é 15% mais cara
que as sacolas de plástico comum, um
custo a mais que forçou comerciantes
conscientes a encontrar alternativas
para substituir a sacola plástica. A
padaria Bonomi, em Belo Horizonte,
adotou a sacola oxibiodegradável e optou
por cobrar uma taxa de R$0,20 por cada
sacola. Já uma rede de supermercados da
cidade, a Verde mar, preferiu absorver o
custo.
Mas
outras soluções criativas e
ecologicamente corretas também podem ser
adotadas. A
Associação
Brasileira da Indústria de Panificação e
Confeitaria, por exemplo,
lançou o projeto nacional "Sacola
ecológica permanente". A associação
estimula os donos de padarias a venderem
sacolas de pano ou papel com a logo da
campanha e o marketing do
estabelecimento e proporcionarem
descontos de até 10% no preço do pão e
do leite para os clientes que estiverem
usando-as.
Segundo o vereador Arnaldo Godoy, autor
do projeto de lei municipal, é a vez de
cada um de nós fazer a sua parte. "BH
saiu na frente aprovando uma medida
inteligente para substituir os sacos
plásticos por sacolas alternativamente
ecológicas como de pano, de palha ou de
lona", comemora o vereador. A lei que
obriga a substituição de sacolas
plásticas pelas biodegradáveis é
pioneira no país e também exige a
substituição de sacos plásticos de lixo
pelos similares ecológicos. Apenas no
Paraná já existe lei similar. Arnaldo
Godoy explica que a sacola plástica
utilizada no comércio leva até 100 anos
para desaparecer no meio ambiente e
representa 9,7% do lixo produzido em
todo o país. "Uma família de classe
média com quatro pessoas usa mil
sacolas, cerca de 40 kg de plástico por
ano", lembra o vereador.
A
professora do Departamento de Engenharia
Ambiental da UFMG, Liséte Lange, defende
o uso de sacolas permanentes como as de
pano e recomenda, no caso de substituir
sacolas plásticas, o uso das
biodegradáveis. Essas sacolas são muito
utilizadas em países como Alemanha e
França e são fabricadas para reagir com
bactérias do próprio solo ou feitas de
polímeros vegetais. "A desvantavem delas
é que são mais caras e frágeis",
acrescenta a professora. Ela considera
que as sacolas oxibiodegradáveis devem
ser usadas com parcimônia pois também
são fabricadas a partir do petróleo e,
apesar de se degradarem em poucos anos,
suas partículas micróscópicas ainda
continuam presentes no solo por muito
tempo.
Saiba mais:
Site da Câmara
Municipal de Belo Horizonte
Site Ambiente Brasil - Artigo sobre o
problema dos sacos plásticos no Brasil
Matéria da Radiobrás sobre a
fabricação de sacolas oxibiodegradáveis
(video)
Curiosidades:
Matéria do Globo Repórter sobre pesquisa
desenvolvida no Brasil de um plástico que
se degrada em 45 dias (vídeo)