Atletas mais do
que especiais
Falta
de incentivo não é barreira para que os deficientes físicos
pratiquem esportes
Por
Dermeval Milanez, Maíra Rocha e Rafael Rocha
(7º período - jornalismo UNI-BH)
dmbneto@yahoo.com.br /
rpmaira@yahoo.com.br
/
rochajornal@hotmail.com
Os
deficientes visuais, auditivos, físicos
e mentais encontram uma série de barreiras
na tentativa de praticar qualquer tipo
de esporte. A principal questão é o
investimento insuficiente realizado
tanto pela iniciativa privada quanto
pelo poder público. Se. por um lado. as
empresas não investem porque não há
retorno pecuniário, as ações do poder
público estão muito aquém da real
necessidade dos deficientes.
Basta
visitar um dos poucos centros de
treinamento para deficientes no Brasil
para constatar o descaso. Contudo, estes
atletas compensam a falta de apoio com
muita vontade. Neste caso, o amparo da
família é fundamental para que os
atletas deficientes mantenham a
disciplina e a motivação.
Não é
fácil ter que acordar todos os dias e
depender da solidariedade do próximo
para realizar muitas das tarefas
cotidianas. As dificuldades começam em
casa, pois, geralmente, ela não é
projetada para os deficientes. Ou seja,
o processo de exclusão social se inicia
dentro do próprio lar.
A exclusão
social dos deficientes é um dos pontos
que o esporte procura eliminar. A
prática de esportes, sobretudo os
coletivos, possibilita aos deficientes,
até certo ponto, a inclusão social. O
esporte propicia benefícios diretos,
pois faz com que os deficientes tenham
uma atividade física. Se disciplinado, o
deficiente pode trabalhar este aspecto
de maneira mais profunda e fazer,
inclusive, uma dieta alimentar
balanceada.
Mais do
que benéfico para a saúde, o esporte
propicia aos deficientes a convivência
com pessoas que possuem os mesmos
problemas e enfrentam as mesmas
dificuldades no dia-a-dia. Ao praticar
algum esporte coletivo, os atletas
interagem, trocam experiências e
aprendem a superar os desafios em
equipe.
Basquete sobre rodas
Um dos esportes mais conhecidos e
praticados pelos deficientes é o
basquete para cadeirantes. As regras são
bem parecidas com as do basquete
convencional. Elas foram adaptadas pela
Federação Internacional de Basquete em
Cadeira de Rodas (IWBF). Há faltas,
cestas de um, dois e três pontos. A
dimensão da quadra e a altura da cesta
também seguem o padrão do basquetebol
convencional.
As
cadeiras de rodas são adaptadas para a
prática deste esporte. Não é permitido
praticar o basquete com o uso de
cadeiras normais. Isso é um grande
empecilho, pois, além de terem que
comprar a cadeira convencional para usar
no dia-a-dia, os deficientes precisam
adquirir outra, mais cara, apenas para o
basquete.
O basquete
sobre cadeiras de rodas esteve presente
em todos os jogos paraolímpicos. No
Brasil, esta foi a primeira modalidade
paraolímpica a ser praticada.
Direito
ao esporte
A Declaração dos Direitos das
Pessoas Deficientes foi aprovada pela
Assembléia Geral da Organização das
Nações Unidas (ONU) em dezembro de 2005.
Nesta declaração destaca-se o artigo
sexto:
“As
pessoas deficientes têm direito a
tratamento médico, psicológico e
funcional, incluindo-se aí aparelhos
protéticos e ortóticos, à reabilitação
médica e social, educação, treinamento
vocacional e reabilitação, assistência,
aconselhamento, serviços de colocação e
outros serviços que lhes possibilitem o
máximo desenvolvimento de sua capacidade
e habilidades e que acelerem o processo
de sua integração social.”
A ONU
estabeleceu o dia 3 de dezembro como o
Dia Internacional das Pessoas com
Deficiência. No Brasil, o
Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) tem como
objetivo “proporcionar uma
infra-estrutura de desenvolvimento do
esporte de alto-rendimento para pessoas
com deficiência do País.” Segundo o
Censo Demográfico de 2000, o Brasil
possui cerca de 25 milhões de pessoas
com algum tipo de deficiência. Destes
por volta de 11 milhões e meio são
homens e 13 milhões e meio são mulheres.
Saiba mais:
-
International Wheelchair Basketball
Federation:
informações sobre a prática de
basquete sobre rodas em todo o mundo, divididas por regiões
-
Federação de Basquetebol em Cadeira de
Rodas do Estado do Rio de Janeiro
-
International Wheelchair Basketball
Federation (Europe)
-
Canadian
Wheelchair Basketball
Association (inglês/francês)
Leia também:
-
Jornal hoje da Globo faz matéria sobre o
tema
-
Tribuna do Brasil repercute sobre
esporte para deficientes
-
Destaque para matéria de esporte no
Folha online
-
Folha publica mais notícias sobre
esporte para especiais
-
Jornal Hoje fala sobre a história
das copas para
deficientes