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Você acha que próximo à Capela de Santana, deveria ser construído um pequeno anexo com duas salas, sendo uma para guardar e mostrar objetos encontrados no Gogô com as características de um museu e a outra para exibir um vídeo da história do local?

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Capela de Santana retorna ao seu local de origem
Por Isabella Almeida, Luisa Torres e Merania de Oliveira

(7º período - jornalismo UNI-BH)
merania.oliveira@gmail.com

Após quarenta anos, os moradores de Mariana comemoram o retorno do acervo da Capela do Santana à cidade. A capela foi demolida e suas peças originais, como altares, arcos, bancos, cantarias, janelas, portas, portais, sinos, escada do coro, cruz e outros objetos, foram levados para Belo Horizonte. No dia 25 de abril, caminhões trazendo o acervo da Capela foram recebidos pelos moradores do Gogô, liderados pelo encanador Salvador Alves, batalhador do retorno da Capela, o arcebispo de Mariana e presidente da CNBB, D.Geraldo Lyrio, autoridades locais, bandas de música e o Grupo Zé Pereira da Chácara. Foi uma tarde festiva com o repicar dos sinos de todas as igrejas. O acervo está guardado no Palácio Velho dos Bispos, hoje Museu da Música, até o término das obras de alvenaria no local.

 

A Capela de Santana foi construída em 1712, em uma antiga área de mineração, na região do Vamos Vamos, 16 anos após o descobrimento de Mariana. Localizada a 4 km do Sítio Histórico da primeira Capital de Minas, a capela sempre foi um local de oração e encontro dos  moradores, onde moravam  muitos escravos e depois seus descendentes.

 

Em 1819, o Barão alemão Wilhein Ludvig von Eschwegue e seus sócios ingleses compraram a Mina de Passagem. Depois adquiriram também as minas localizadas na região do Vamos-Vamos, cuja pronúncia era difícil para os estrangeiros que começaram a dizer Go Go (ir em inglês), derivando daí o nome Gogô.  Logo após, estes sócios venderam as minas para a família Guimarães.

 

Para o ex-vereador, o marianense Waldemar Faustino, 93 anos, o retorno da capela é uma vitória para a cidade. “Trabalhei na reforma desta igreja que foi reaberta, em 29 de junho de 1939, para as celebrações do aniversário do Dr. Júlio Guimarães”, declara o senhor Waldemar.

 

Com a escassez do ouro e a falta de trabalho, os moradores começaram a mudar da região. Em 1968, ameaçadas de roubo, as imagens e outros objetos de arte foram transportados para o Museu Arquidiocesano por ordem de Dom Oscar de Oliveira, o arcebispo da época. Depois, o restante do acervo foi transportado para a sede da Construtora Mendes Júnior, em Belo Horizonte, onde foi reerguida. No local de origem, restou somente o piso do monumento construído no início do Século XVIII.

 

Após a venda da sua sede, a Construtora retirou a capela e a doou à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), permanecendo guardada por nove anos em um galpão de 200m². “Todas as peças estão em perfeito estado de conservação, pois, passaram por um moderno processo de descupinização”, afirma  Eliane Ferreira, do Departamento de Serviços Gerais da UFMG.

 

Mesmo sem a capela, os moradores do Gogô, todo o dia 24 de julho, buscavam no Museu a imagem de Santana e faziam a procissão com muita fé.  O que motivou a prefeitura de Mariana a se responsabilizar pelo retorno da capela para o Morro de Santana.

 

Em 30 de janeiro de 2008, foi celebrado um acordo, na sede da Procuradoria Geral de Justiça do Estado, com o Coordenador das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, Marcos Paulo de Souza Miranda, que presidiu a reunião com o Vice-prefeito de Mariana, Roque Camêllo, Eliane Ferreira, Cônego João Ribeiro, da Arquidiocese de Mariana, e outros representantes de diversas instituições interessadas na devolução da Capela de Santana, visando sua recomposição  onde estão as suas fundações.

 

De acordo com Promotor de Justiça, Marcos Paulo, o trabalho realizado no caso foi de grande relevância para o Ministério Público. “Esse trabalho desenvolvido pela Promotoria foi um dos mais importantes no que diz respeito à preservação do patrimônio histórico de Minas”, afirma.

 

Para o arquiteto do IPHAN, Altino Caldeira, “o retorno da Capela é um exemplo a ser seguido quanto a preservação do patrimônio histórico e cultural de nosso país”.

           

A imagem da padroeira, Santana, deverá continuar no Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, sendo levada uma réplica para o altar, por questões de segurança.

 

O Morro de Santana é considerado o maior sítio arqueológico existente no Brasil (quase 3 milhões de metros quadrados de área), tombado pelo Conselho Municipal de Cultura. Portanto, a capela retornará, em boa hora, para o seu local de origem.

 

O encanador Salvador guarda com carinho cachimbos de barro usados pelos escravos e vários utensílios encontrados na região. O acervo que ele vem juntando desde que mudou para o local, já é suficiente para montar um museu.


Saiba mais:

- Arquidiocese de Mariana

 


Leia também:

- Capela de Santana vai voltar 40 anos depois (Portal Uai)

 

 
 
 

 

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