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Programa BH Digital
Recuperar as máquinas e assegurar o acesso gratuito à informática são objetivos principais do programa

Por Fernanda Godinho, Luana Costa e Roberta Miligrana
fernandagodinhosouza@yahoo.com.br, luanacosta13@gmail.com, rmiligrana@yahoo.com.br
(7º período - jornalismo UNI-BH)

Implantar espaços de inclusão digital gratuitos na cidade para que a população, principalmente aquela que reside nas áreas de pobreza, possa ter acesso ao computador e à internet. Este é um dos principais objetivos da oficina de reciclagem digital, criada em 2005. A oficina é fruto de uma parceria entre a Prodabel e as secretaria municipais de Política Social e secretaria Adjunta de Assistência Social da Prefeitura de Belo Horizonte.

O projeto pretende, ainda, capacitar jovens entre 16 e 24 anos que participam de programas sociais como Bolsa-família, Liberdade Assistida, Agente Jovem, Escola Aberta e projeto Guernica. Em três anos, mais de 200 jovens e adultos foram beneficiados com o curso e 1.368 computadores já foram doados para o programa.

De acordo com o professor Washinton Luís, os alunos chegam à oficina sem nenhum conhecimento de informática e saem como profissionais na área, já que o curso tem três módulos onde eles aprendem desde a montagem do computador até o atendimento final ao cliente. Durante três meses e meio, de segunda a quinta-feira, das 13h30 às 17h30, cerca de 150 adolescentes aprendizes têm aula de conteúdos específicos sobre dispositivos eletrônicos: Softwares, hardwares, testes de reparo e manutenção preventiva, lições de cidadania, preparação para o mercado de trabalho e relacionamento social.

Os mais interessados e com melhor desempenho nas atividades podem, ao fim do curso, ser contratados para trabalhar nos laboratórios de informática em escolas municipais, em centros de inclusão social e até em empresas de informática. Kelly Cristine Alves, de 18 anos, está feliz com o resultado do curso e já tem planos para o futuro. "Sinto-me uma jovem de sorte, pois a maioria não tem a oportunidade que tive. Aprendi uma nova profissão e já posso ajudar minha família, que está muito orgulhosa. Também continuo os meus estudos e no fim do ano prestarei vestibular para Matemática Computacional, na UFMG. A informática me abriu novos horizontes".

Com a certificação, a elevação de escolaridade, que também é estimulada no programa  e experiência prática (carteira assinada por 2 anos e com direito ao fundo de garantia, 13°) os jovens saem do programa com boas possibilidades de conquistar um novo trabalho. Alisson Sander, 18 anos,  orgulha-se em ter desenvolvido uma nova habilidade. "Foi uma nova experiência e tive a oportunidade de aprender a fazer uma máquina funcionar a partir de peças reaproveitadas. Estou completamente apaixonado por essa área, que está me dando a oportunidade de ser alguém na vida".

O primeiro passo a ser dado na oficina é a triagem nas máquinas recebidas. Depois de feita a identificação dos defeitos e defasagens de cada uma, os micro são separados de acordo com o curso oferecido pelo programa. Desmontados sobre a mesa, teclados, monitores, mouses, discos rígidos e placas de memória parecem obsoletos e já sem utilidade, mas na oficina os jovens enxergam uma outra realidade. Com chaves-de-fenda nas mãos, eles fazem verdadeira transformação nos equipamentos e dão vida nova aos velhos equipamentos, que são repassados aos telecentros, postos de internet municipal e unidades móveis de inclusão digital.

Recuperar as máquinas e assegurar o acesso gratuito dos cidadãos à informática pôs Belo Horizonte entre as únicas cinco cidades do Brasil a contar com centros de recondicionamento de computadores credenciados pelo governo federal.

O dia 1º de agosto de 2008 será um marco na vida de onze jovens aprendizes da Associação Municipal de Assistência Sociak (Amas), que trabalham na Prodabel realizando manutenções e consertos de micros nos cerca de 70 espaços de inclusão digital de Belo Horizonte. Nesta data, eles completaram dois anos de contratação. Os jovens  recebem a remuneração de um salário mínimo e cumprem uma jornada diária de 6 horas sob a coordenação da Diretoria de Inclusão Digital da Prodabel.

O orientador técnico, Frederico Rangel, também contratado pela Amas, trabalha na Prodabel orientando os jovens aprendizes, ele nota que além de adquirirem experiência profissional, os jovens cresceram como pessoas, ao tomarem consciência de suas responsabilidades no ambiente de trabalho. "Estou com os meninos há cerca de 6 meses e percebo que alguns mudaram da água para o vinho". Eles cumprem o horário e suas tarefas com eficácia e também desenvolveram a comunicação com as outras pessoas. Já sabem se posicionar dentro de uma empresa, o que é muito importante, pois lhes garantirá boas oportunidades de emprego no futuro", finaliza.


Saiba mais:

Site Prefeitura Municipal de Belo Horizonte:
a prefeitura busca implantar espaços de inclusão digital gratuito na cidade para que a população, principalmente aqueles que residem nas áreas de pobreza, possa ter acesso ao computador e a internet

Prodabel: concebido para ser um centro de inovações, que busca se estabelecer como referência em informática pública através da articulação das atividades de pesquisa.

Inclusão Digital Governo Federal: o objetivo do programa é a disseminação do conhecimento sobre tecnologia.


Leia também:

Oficina de reciclagem digital promove inclusão (Uai)

 
 
 

 

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