Pedala!
Prefeitura de Belo
Horizonte promete instalar 300 km de ciclovias nas ruas da
cidade
Por
Rafael Rocha
(7º período - jornalismo UNI-BH)
rochajornal@hotmail.com
Que carro, que nada!
Agora chique mesmo é andar de bicicleta.
O brasileiro ainda não atinou para isso,
mas ir trabalhar de bicicleta é muito
fino, costume de gente elegante e
preocupada com o meio ambiente. Claro,
só mesmo na França para as pessoas
usarem desse meio na sua locomoção.
Existe até máquina para aluguel de
bicicleta, algo que, caso existisse no
Brasil, certamente iria virar alvo dos
ladrões cada vez mais inventivos, que
roubam desde cabo de fibra óptica até
semáforo de trânsito.
Talvez querendo chegar um
dia a ser Paris, a Prefeitura de BH deu
um passo inicial para instalar ciclovias
na cidade. A intenção é chegar à
incrível marca de 300 quilômetros de
ciclovias. Imaginou isso em BH?
Domingo toda família
decide ir ao Parque das Mangabeiras.
“Pegue sua Cecizinha, minha filha. Cadê
sua Caloi, meu filho?”. O suor vai ter
que escorrer bastante, não é? Que tal
subir o tobogã da Contorno de bike?
E rumar pela Afonso Pena nas pedaladas?
Topa ir em direção ao BH Shopping via
Raja só pedalando? É teste de
resistência pra ciclista de Olimpíadas.
Seja em qual região for,
praticamente todas as vias da nossa
cidade são contempladas pela natureza
com morros, de maior ou menor
inclinação. Todo mundo vai ficar
magrinho se a moda pegar por aqui.
Geração pedal slim.
Com a disseminação do
esporte, andar de bicicleta pode ficar
ainda mais prático. Estacionamentos de
bicicleta precisam ser instalados na
cidade, assim acaba com a máfia dos
flanelinhas e aquela chatice de
estacionamento rotativo. Parando no
sinal, não há perigo de alguém te
abordar querendo lavar o pára-brisa.
Ninguém vai querer encerar o quadro da
sua bicicleta. Os gastos vão cair
consideravelmente.
Fora o espaço mínimo que
uma bike ocupa. Na Europa elas
são dobráveis, cabem numa maletinha,
aquilo é uma maravilha. Você pega sua
bicicleta de manhã para ir trabalhar,
anda com ela até a estação de metrô,
dobra a mocinha e pronto. Mas como o
metrô daqui é pífio, não vai dar pra ser
assim. Combustível, nem pensar! Não
precisa revisão constante, balanceamento
nem alinhamento. As oficinas irão
esvaziar, os mecânicos vão ficar bravos.
A indústria da multa de
trânsito vai diminuir. Os atropelamentos
também, espera-se. Fora que todo mundo
usando bicicleta, diminui aquela
ostentação que virou ter um automóvel.
Cada ano o dono compra um mais potente
que o outro, e como as bicicletas são
todas parecidas, não custam nenhuma
fortuna e ninguém corre o risco de ser
seqüestrado por ter uma bike mais
moderninha por aí.
Ouvi uma série de pessoas
reclamando dessa intenção da Prefeitura,
mas confesso que estou achando muito
interessante. E daí se nosso ritmo irá
diminuir, se teremos que sair de casa
bem antes para dar tempo de chegar ao
trabalho, cumprir horários, e daí? Temos
que perder esse apego ao capital, coisa
mais fora de moda, não é mesmo,
prefeito?! Pressa pra quê?!
É bom que assim se
institua um ajuste nas contas da Câmara
e Assembléia. Imagina a economia de
recursos públicos que vai acontecer se
todos nossos caros deputados e
vereadores se dirigirem aos seus
gabinetes montados numa bicicleta?
Benefício direto para o povo.
Agora é só aguardar.
Enquanto as ciclovias não estão
implantadas, a gente vai treinando na
pracinha do bairro.