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Crônica

 

 

 

 

 

 

 


 

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Reforma gráfica já!
 

Por Dermeval Milanez
(7º período - jornalismo UNI-BH)
dmbneto@yahoo.com.br

Tu sabes que o único lote quase democrático desta verborréia niilista é o caderno de desclassificados? Trata-se do espaço penitenciário de 300 incômodos cômodos em meio metro de papel, sendo que, a cada centímetro cúbico, dezenas de letras estão desconfortavelmente embaralhadas devido ao espaçamento infra-simples. Enxergas agora? Estás na periferia do jornal, que fica páginas luz das decisões político-econômicas. Esta deve ser a tal da responsabilidade jornalística: nada mais do que reproduzir a realidade.
 

Até que a extorsão diária dos cafetões da mídia impressa não é muito cara. A questão é que deves pagar o aluguel da cela em dia todo dia, caso contrário serás deletado e o quartinho receberá um novo inquilino temporário. É somente neste árido terreno erosivo que tu tens a oportunidade de alugar o cercadinho para semear. Mas, sem adubo orgânico, inorgânico ou financeiro, teus frutos serão escassos e estéreis.
 

E, mesmo que sobressaias nas terras de papel improdutivas, enfrentarás os animais de impostos peçonhentos. Estes envenenam lavouras de idéias e safras de empreendedores inteiras. Possuem ainda a capacidade constitucional incrível de se adaptarem a qualquer tipo de ecossistema. São realmente as pragas! Sei que tu estás uma pilha com tudo isto, mas vejas apenas o lado positivo: poderás ser contratado, alugado ou prostituído. Tu não tens nada a perder! Entre tantos, tu és mais um desclassificado desqualificado tão bem classificado socialmente.
 

Eu sei que não leste, mas pelo menos já viste os primeiros cadernos? Em lugar de pequenas celas têm-se os latifúndios, os grandes fardos de papel. Nestes rolos são tratados assuntos requintados, como a economia, e requentados, como o esporte. Aí estão os verdadeiros cafetões de luxo. Estes prostituem uma vasta propriedade privada de papel com a libido de poucos. Fica advertido de que lá o acesso é restrito. Afinal, trata-se de dispendiosos condomínios fechados com paisagens coloridas, espaçamentos duplos, ilustrações contemporâneas e fontes belíssimas.
 

É muito papel para tão grande repetição e redundância. Tu só entras legalmente nestas páginas nu, preso ou morto. Mas há outra via: a revolucionária. Tu podes ser grileiro ou posseiro de papel em busca da plena democratização da visibilidade. Espero que tu desenhes faixas, empunhes bandeiras e brades: reforma gráfica já!

 
 
 

 

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