As Horas
Um filme que
emocionante que contagia espectadores do
começo ao fim
Gabriela Ridolfi
(7º período Unibh)
Gabiridolfi@yahoo.com.br
Virginia
Woolf, escritora, mulher, com
diagnóstico psiquiátrico de
esquizofrenia, nos traz, em sua vida e
obra, de forma exuberante, o que está em
questão para todo ser humano: o real da
dor de existir. No filme “As Horas” é a
dor de existir do universo feminino que
transborda a tela.
Com um
roteiro muito bem construído, cheio de
reviravoltas e um elenco de estrelas. O
longa metragem surpreende desde o
começo. Você logo pensa: que filme sem
graça, que já adiantou o final! Porém, a
medida que a história vai se
desenrolando você descobre que a
seqüência inicial, tão ousada reflete em
toda a sua história.
Baseado
no livro homônimo de Michael Cunningham,
“As Horas” foi dirigido por Stephen
Daldry. Um filme delicado, que precisa
ser assistido com tempo e paciência. Sua
história é simples, então, o que o faz
ficar tão grandioso é a riqueza dos
detalhes. A fotografia do filme é um
exemplo, que difere as três histórias
por suas colorações. A vida de Virgínia é
obscura, com muitos tons marrom. A
vida de Clarissa é acinzentada, fria. E
a vida de Laura é colorida, iluminada,
mas com um ar exagerado, surreal.
São
três histórias em épocas diferentes que
são contadas paralelamente: a da
escritora Virgínia Woolf (Nicole Kidman). Casada (apesar de ser
considerada lésbica) e com filhos, ela
está sempre descontente com a vida que
leva, e tem idéia fixa de suicídio.
É esta idéia fixa que vai transpor aos
seus livros, e a todos os personagens do
filme.
A
segunda história é a de Laura (Julianne
Moore), uma dona de casa suburbana e
submissa ao seu marido, ela não enfrenta
sua dor, não a compartilha com sua
família, é o isolamento que a absorve
no sofrimento. E a terceira história é a
de Clarissa (Meryl Streep) uma mulher
agitada, que divide sua vida entre os
amigos, a companheira, festas e
jantares.
Apesar
de primeiramente não transparecerem, as
três estão extremamente infelizes.
Virgínia está à beira de um ataque de
loucura, pois sofre muito a solidão
vinda do confinamento na cidade onde
vive, e só se liberta enquanto escreve
seu novo livro, intitulado “Mrs. Dallowa”. Laura que parece ter uma vida
perfeita, sofre de uma angústia que nos
agonia, e somente fica feliz enquanto lê
“Mrs. Dalloway”. Já Clarissa vê a todo
tempo como sua vida é banal, só tendo um
pouco de felicidade enquanto deixa de
viver sua vida para viver a de seu amigo
Richard, portador do vírus da AIDS.
A
medida que vamos assistindo as cenas
conseguimos perceber como o desespero
das três mulheres vai crescendo com o
passar das horas. A ansiedade vai
aumentando, a esperança de mudança vai
diminuindo e sufocando os personagens e
público. Em uma cena em que a personagem
Virgínia se deita ao lado de um pássaro
morto, no jardim de sua casa, percebemos
através dos planos minuciosamente
escolhidos e da trilha sonora aguda, a
angústia da personagem. Solidão,
infelicidade, doença, homossexualismo
(nas três tramas as personagens beijam
outra mulher na boca), e principalmente
a morte.
Os
atores se adequaram perfeitamente aos
personagens, Nicole Kidman está perfeita
no papel de Virgínia Woolf,
irreconhecível com uma prótese no nariz,
talvez para tentar esconder um pouco sua
beleza e exuberância que não caberiam
dentro de uma personagem tão
melancólica. Juliane Moore está
magnífica: sensível, sofrida,
verdadeira; assim como Meryl Streep que,
além de tudo, está portando uma beleza
leve e singela, e Ed Harris, através de
uma maquiagem impressionante está
completamente tocante. A direção é algo
tão sensível e sincronizado que chamou
bastante atenção. A seqüência inicial do
filme, quando os créditos começam a
surgir, é algo inédito.
A
trilha sonora é outro trunfo do filme,
além de se encaixar perfeitamente a
temática, em algumas cenas que
simplesmente representavam o cotidiano,
a música de Philip Glass (compositor
consagrado) deu profundidade as cenas.
“As
horas” é um drama, daqueles como todo
drama deve ser. Que consegue emocionar
os que se deixam levar pela história, e
arrancam lágrimas dos mais sensíveis. Um
filme denso daqueles que nos pegamos
recordando com freqüência e que demoram
anos até se esvaecerem da memória.
Curiosidades
- Inicialmente a previsão era que
As Horas estreasse nos cinemas americanos em dezembro de 2001.
Apesar do filme estar pronto nesta época, a Miramax e a Paramount
decidiram por adiar seu lançamento em 1 ano, por considerar a disputa ao
Oscar muito acirrada naquele momento.
- Antes de definir o título de seu livro como Mrs. Dalloway, a escritora
Virginia Woolf cogitou intitulá-lo como The Hours.
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Hours