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Aventuras de uma pseudovirgem - 2007

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Sinopse

Entre as garotas de sua base no exército israelense, Iris é a única que nada tem a dizer quando o assunto é sexo. Sua experiência nessa área se resume a uma tentativa fracassada com um paramilitar marroquino que não lhe rendeu nada além de um tremendo trauma. Ou seja: ela é uma pseudovirgem.

Ao fim do serviço militar obrigatório, Iris embarca num mochilão pela Ásia. Só que, no seu caso, com uma missão muito especial: encontrar alguém que a tire de seu desagradável jejum sexual.

 

 

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Não é só um besteirol adolescente
Livro de autora americana mostra dilemas sexuais de mulheres jovens

Natália Vilaça
(7º período Uni-BH)
nataliasgv@gmail.com

A autobiografia “Aventuras de uma pseu-dovirgem” (Conrad, 2007), de Iris Bahr, é uma viagem. Em todos os sentidos da palavra. A história é sobre o mochilão que a autora faz pela Ásia em busca de se livrar do rótulo de “pseudovirgem”, definição que muitas mulheres não conhecem, mas um dia já se enquadraram nela. Apesar do enredo aparentemente básico, a mente confusa da autora enriquece a leitura com suas dúvidas e idéias mirabolantes.

Bahr é uma palhaça; no bom sentido. Suas histórias variam entre o absurdo e o hilário. Seus dilemas são dignos das personagens de comédias adolescentes hollywoodianas. Ao ler as inúmeras aventuras e enrascadas em que se envolve durante o livro, o leitor mais desavisado pode ter a impressão de que Iris é uma maluca. Ao mesmo tempo em que tudo está às mil maravilhas, um acaso do destino faz com que uma turbulência sentimental transforme o mar de rosas em um mar morto de indecisões. Só as mulheres compreendem de fato o que passa pela cabeça de Iris.

A literatura voltada para o público feminino vem crescendo ao longo do tempo. Livros como “O Diário de Bridget Jones”, que ganhou versão no cinema, é um exemplo. O sucesso de tais publicações talvez se explique pela identificação do sexo feminino com as experiências contidas nas obras. Muitas vezes, aquilo que lêem são reflexo de seu próprio dia-a-dia. Com “Aventuras de uma pseudovirgem” não é diferente. Não são raras as vezes em que a leitora se identifica com um pensamento ou uma atitude de Iris.

Porém, engana-se quem pensa que a autora é daquelas que se deixam abalar por bobagem qualquer. Dos vários dilemas com que Bahr se depara ao longo do seu trajeto pela Ásia, nenhum deles tira dela a possibilidade de agir com a cabeça e não com o coração, como fazem muitas mulheres. Mesmo que isso não seja o que ela realmente quer.

Logo nas primeiras páginas, vê-se que o universo feminino é tratado com muito humor no livro. Em alguns momentos, parece que a autora se veste de homem para criticar a si mesma e repudiar seus próprios pensamentos. Talvez estes ares masculinos sirvam para atrair os machos para a leitura.

Além disso, Bahr consegue inserir na obra algumas dicas e descrições de países dignas de um roteiro de viagem. As histórias trazem detalhes e até mesmo alertas para os que pretendem passar por lá. Por isso, depois de percorrer as páginas de “Aventuras de uma pseudovirgem”, os leitores podem ter duas reações: os mais aventureiros vão direto comprar sua passagem para a Ásia; os mais caretas correm para riscar o roteiro de seus planos de viagem.

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A linguagem é um dos elementos que mais chamam a atenção, seja para o bem ou para o mal. O linguajar simples, muitas vezes chulo, parece ser feito de adolescente para adolescente; o que não é necessariamente um ponto positivo. Seu texto é ágil, nos faz acompanhar as histórias na velocidade da mente de Iris. De fato, parece que embarcamos com ela rumo à Ásia e estamos presenciando tudo aquilo que ela própria vivencia. Porém, há momentos em que a autora se distancia do gênero autobiográfico. Isto porque, ao deixar claro que alguns acontecimentos foram alterados e alguns fatos omitidos, Iris deixa de lado a preocupação com a verdade, o que geralmente não ocorre nas autobiografias.

“Aventuras de uma pseudovirgem” não tinha como dar errado. A vida de Iris Bahr é repleta de histórias interessantes e experiências que valem uma publicação. No livro, a autora só menciona sua pseudovirgindade, sua experiência no exército israelense e, é claro, sua viagem pela Ásia em busca de sexo. Porém, a caixinha de surpresas não pára por aí. Em 2005, Iris escreveu, produziu, atuou e dirigiu a comédia “The Unchosen Ones”. A história do filme parece ter inspirado a escrita do livro. O enredo se passa em Israel. A protagonista (interpretada por Bahr) participa de uma viagem para solteiros e se perde do grupo, passando boa parte da trama tentando encontrar seus companheiros. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

No final, a impressão que fica é a de que o livro vale por seu conteúdo: dilemas femininos, virgindade, questões culturais. A decepção fica por conta do desfecho. A história, que começa tão animada, tem um desfecho pobre, “chôcho”. A obra talvez seria mais bem sucedida se assumisse de vez a narrativa ficcional ou se abrisse espaço para um final mais excitante. Depois de percorrer a Ásia em quase 300 páginas de pura loucura, o leitor merece um encer-ramento mais estimulante.


Saiba mais:

- Trechos do livro
- Biografia de Iris Bahr

Leia também:

-
Entrevista com Iris Bahr

 

 
 
 

 

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