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D. Viçoso
 

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D. Viçoso foi o 7º bispo de Mariana, nomeado em 1843. Além de reformar o clero da sua diocese, foi um educador e um grande guerreiro na conscientização do povo mineiro contra a escravidão as queimadas e a preservação das matas. Criou em Minas Gerais o primeiro colégio feminino, em 1849. Quando faleceu, na Cartuxa, em Mariana, em 07 de julho de 1875, já era considerado santo pelo povo que o amava muito.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Você é a favor da divulgação, pela igreja católica da vida de D. Viçoso?

Sim, sou a favor por ele ser um santo.
Não, não sou a favor
Sim, sou a favor por ele ter sido importante para a História de Minas Gerais.
Sim, sou a favor porque devemos conhecer os homens que ajudaram a construir a nossa História
Sim, pela sua luta a favor dos escravos e pobres

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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D. Viçoso, o santo de Minas Gerais
U
m homem iluminado para o seu tempo

Merania de Oliveira (7º período Unibh)
merania.oliveira@gmail.com



No último dia 13 de dezembro de 2007, na Catedral de Mariana, o Arcebispo de Mariana e presidente da CNBB, D. Geraldo Lyrio Rocha, instalou o Tribunal Eclesiástico para exame e avaliação de suposto milagre, condição canônica para beatificação de D.Viçoso. De acordo com a Arquidiocese, trata-se da primeira sessão de um terceiro processo. O milagre legitimamente comprovado, segundo as normas da Santa Sé, é uma exigência relevante e demonstra a aceitação divina para este pleito da Igreja. Se aprovado este último processo referente ao milagre, o Servo de Deus será distinguido com o Decreto Pontifício da Beatificação que lhe permite um culto limitado, restrito a uma determinada região. A última fase, a canonização, propõe como modelo de santidade à Igreja Universal  aquele Venerável, anteriormente beatificado.

A primeira parte do processo, de caráter histórico, encerrou-se com a aprovação pela Santa Sé da Exposição escrita pelo historiador e filósofo prof. Maurílio Camello, abordando a vida e personalidade de D.Viçoso. Este é conhecido por seu humanismo, por lutar contra a escravidão e por suas preocupações com o meio ambiente. Desde que chegou ao Brasil, em 1820, ele já escrevia e pregava contra as queimadas e o desmatamento.

Antônio Ferreira Viçoso nasceu em Portugal, na cidade de Peniche, aos 13 de maio de 1787. Foi ordenado sacerdote pela Congregação da Missão, em 1818, na Sé Patriarcal de Lisboa. Em 1819, o Superior da Congregação da Missão, atendendo a pedido de Dom João VI, para que mandasse sacerdotes para o Brasil, enviou o jovem Padre Viçoso e seu co-irmão Padre Leandro Rabelo de Castro. Foram encaminhados ao interior de Minas, a um edifício de sólida construção, deixado pelo ermitão Irmão Lourenço para que fosse instalado ali alguma obra de ação social. Naquele local, os dois padres fundaram o Colégio do Caraça de onde saíram, com o passar do tempo, figuras importantes para a história nacional, como os ex-presidentes Affonso Penna e Arthur Bernardes.

Segundo o prof. Maurílio Camêllo, responsável pela Positio super virtutis et fama sanctitatis (Exposição sobre as virtudes e fama de santidade), que integra o Processo de Beatificação, “a primeira parte da vida de D.Viçoso nessa segunda pátria (1820-1843) é dedicada aos trabalhos de educador em colégios (Caraça, Jacuecanga-SP e Campo Belo) e missionário em paróquias, especialmente da Província de Minas Gerais”.

Em 1843, Padre Viçoso foi nomeado 7º Bispo de Mariana, por apresentação do Imperador Dom Pedro II, pois no Brasil, àquela época, vigorava o regime de Padroado, ou seja, a Igreja Católica era unida ao Estado.

D.Viçoso foi um grande educador. Além de criar o Colégio Caraça, restaurou o Seminário de Mariana material e pedagogicamente, tornando-o um dos principais centros de estudos de humanidades no país. Como bispo, visitou por três vezes, à cavalo ou de liteira, todo o território da diocese, que, na época, era superior ao da França. Conservaram-se dele mais de quinhentas cartas: importantes informações sobre a sociedade mineira do século XIX.

Foi um homem iluminado e avançado para seu tempo. Preocupado com o procedimento dos homens, mandou buscar em Paris, em 1848, as Filhas da Caridade, educadoras francesas, para criar, em Mariana, o Colégio Providência, primeira escola feminina de Minas Gerais. É dele a seguinte frase: "Somente educando a mulher, oferecendo-lhe uma boa condição cultural, é que teremos uma sociedade mais civilizada e preparada para dar à pátria cidadãos completos. Não vos esqueçais de que a mulher, sobretudo a mãe, será sempre a primeira mestra".

Quanto à escravatura, D.Viçoso sempre protegia os negros, escrevia e pregava a favor da abolição do regime escravocrata. Publicou artigos e opúsculos, além de sermões e catequeses que compõem hoje o acervo do Arquivo Arquidiocesano de Mariana. Para Maurílio, o bispo desenvolveu “por 31 anos, longo e profícuo trabalho pastoral, reformando o clero, animando a vida religiosa da diocese, construindo casas de educação e asilos, defendendo a autonomia da Igreja contra as intervenções abusivas do poder civil (regime do Padroado) e contra as agressões do liberalismo e da maçonaria”.

D.Gil Moreira, bispo de Jundiaí-SP, no dia da sua posse no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, em 2007, deu  um depoimento sobre a vida do bispo: “D.Viçoso, ao tomar posse como bispo de Mariana, proibiu os padres de serem proprietários de escravos  e pregava contra esta grande injustiça social. Os negros residentes em Mariana, em agradecimento a ele, quando de sua chegada à cidade, lhe prestaram uma homenagem. Levaram para o bispo feixes de lenha, enrolados em cipó de São João, no Palácio Episcopal e dançaram para D.Viçoso.”

Ainda citando a vida de D. Viçoso escreveu D.Gil: “ao receber alguma vocação adulta no Seminário, perguntava primeiro se o candidato tinha escravos e se não quisesse libertá-los antes do ingresso, não o aceitava. Foi o que aconteceu com certo advogado que se apresentou para receber as ordens religiosas. Perguntado se possuia escravos, respondeu afirmativamente. E se estava disposto a libertá-los, sua resposta foi negativa, impedindo-lhe D.Viçoso, em razao disto, a ordenaçao sacerdotal”.

Assim viveu o homem que revolucionou a formação do povo mineiro, no Século XIX. Era a única voz de Minas ouvida pelo Imperador D.Pedro II, expressando sempre a este sua opinião com firmeza e dignidade.

Carlos Drumond de Andrade dedicou a Dom Viçoso o poema Santo Particular que o Estado de Minas publicou em 11 de maio de 1977.  Seu texto, escrito mais de um século apos a morte de Dom Viçoso, vem confirmar como os mineiros guardam a memoria daquele que deu nome as cidades e ruas e foi tao importante para nossa Historia cultural, civica e espiritual. Pequenino e profundo, vale a pena ser lido o  Santo Particular:

O santo da família

Humilde e forte, quem pode ele

No céu mineiro

Áureo de legendas?

Não é canonizado? Tanto faz.

E é santo à mão: nosso quase vizinho de Mariana.

 

“Santinhos”, “bentinhos” encarnados

Não reproduzem sua imagem.

Nem verônica nem dia de folhinha

Fazem propaganda deste santo

Mas ele é santo – papai que sabe – afirma.

 

Dom Viçoso, na alpestre

Cartuxa de Mariana

Fica entre a gente e o Paraíso

Resolvendo os negócios de papai.

 

Saiba mais:

- D. Viçoso: um homem à frente do seu tempo
 

 
 
 

 

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