"Maria
Antonieta" chega aos
cinemas em versão pop
A cineasta Sofia Coppola volta à grande
tela com uma interpretação moderna da
vida da famigerada rainha da França
Maria Rita Reis
(7º período Unibh)
ritinhatvr@gmail.com
O último
filme da diretora Sofia coppola, Marie
Antoinette (2006), retrata a vida da
famigerada rainha da França do século
XVIII, Maria Antonieta. Desde o início
da divulgação do filme, a cineasta,
filha do consagrado diretor Francis Ford
Coppola, deixou claro que a película
inspirada na biografia mais recente do
ícone da revolução Francesa, escrita
pela norte-americana, Antonia Fraser,
não era totalmente fiel e não
caracteriza um registro histórico. Era
sim, sua interpretação da história.
A maioria
das críticas, ressaltou que a personagem
principal era uma garota perdida, à
procura de algo que ainda não sabe o que
é. Muito semelhante às protagonistas de
seus dois filmes anteriores lançados no
Brasil sob os títulos: As virgens
suicidas (1999) e Encontros e
desencontros (2003).
Essa
característica se confirma no filme, mas
não acredito que seja totalmente por
imposição da visão da diretora sobre a
personalidade da princesa. Durante a
leitura da biografia que deu origem ao
livro – extremamente bem documentada,
com destaque para a articulação de
registros históricos e diários de
personagens muito próximos à
família Real na Corte de Versailles,
além de correspondências destes com
família e amigos no exterior –
percebe-se todo o despreparo da jovem de
14 anos, que após uma educação
negligenciada pela mãe, a imperatriz
austríaca Maria Teresa, é enviada para
casar-se com o herdeiro do trono
francês, Luís XVI, como forma de sanar
uma história de hostilidade entre as
duas nações.
Ao chegar
numa corte opulenta e
extravagante – inclusive notória por
isso na Europa – a delfina, oriunda de
uma corte muito mais simples, deparou-se com um marido de caráter irresoluto, que
a fez passar pela humilhação de não
consumar o casamento durante seus 7
primeiros anos, em plena segunda metade
do século XVIII.
O filme
sugere que o gosto da rainha pelas
aquisições - que lhe rendeu o apelido de
madame déficit - é fruto de sua
frustração na nova corte e no casamento.
É claro que é uma versão simplificada
dos fatos, mas durante a leitura do
livro, percebe-se o gosto pelo belo que
ela nutria sendo de certa forma,
maximizado pelo “abandono” de Luís
XVI; o que a deixava
com tempo de sobra, e necessidade de
damas de companhia para ocupá-lo. O que
Sofia fez foi transpor, em alguns
aspectos, essa realidade para os dias
atuais. O que faz uma menina rica,
entediada e com muito tempo nas mãos?
A
diretora optou por contar um trecho da
história da vida da rainha e, neste período, foi
coerente com a linha de tempo. O recurso
que ela usou para contabilizar os
nascimentos e mortes dos filhos reais
foi mostrar as pinturas feitas
na época dos nascimentos e das mortes,
que constam no livro. Interessante,
porém desafiador para o público que não
conhece os pormenores da história.
Jason
Schwartzman, o Luís XVI de Sofia, faz
uma excelente representação do que seria
aquele homem de personalidade fraca, sem
tino para o governo, que preferia
caçadas a tudo. Sempre cortês com a
consorte, como consta no livro, era
conhecido como o rei que não inspirava
majestade. A parte ilustrada no filme
contempla o período em que, conduzido por
seu conselho, patrocinou os EUA na sua
Guerra de Independência contra a
Inglaterra. Decisão que fez o déficit
público francês atingir valores
astronômicos e levar os camponeses mais
rápido ao estado de revolta profunda
contra o sistema; simbolizado por Versalhes, com toda sua extravagância, e
claro, contra seu maior ícone: a rainha
estrangeira.
A parte
que tange o Conde Fersen, amante de
Marie Antoinette, foi muito superficial
se levarmos em consideração que este
homem tentou salvá-la de sua
periclitante situação até o fim,
inclusive participando de um grande
plano de fuga da família Real. Mas se
analisarmos o conjunto do filme, essa
parte teve uma dimensão condizente com o
aspecto frívolo que o domina.
No epílogo
do livro está a história do filme
basicamente como ela foi ali retratada,
com algumas poucas disparidades. Isso me
fez ficar um pouco decepcionada com os
anúncios da diretora, que dizia ser
aquele retrato da rainha, obra de sua
interpretação. Talvez até o seja, com
doses cavalares de intertextualidade com
o epílogo do livro.
Produção
A produção
do filme não surpreendeu por se tratar
de um filme de Sofia Coppola, que sempre
apresentou em suas obras uma preocupação
bem vinda com este aspecto. A
fotografia, é belíssima e chama a
atenção nas cenas da rainha com sua
primogênita e única sobrevivente da
família, Maria Teresa. Nos jardins de
sua morada pessoal, o comedido Petit
Trianon, localizado do outro lado dos
extensos jardins de Versailles, as duas
atrizes, de cabelos loiros e tez tão
suave quanto branca, rolam na grama
usando vestidos de algodão, enquanto o
sol agracia a cena com alguns raios
dispersos.
Trilha
A trilha,
motivo de choque inicial, também está de
acordo com estilo que consagrou a
diretora como rainha do pop. A novidade
foi a ausência da banda francesa AIR,
que compôs toda a trilha de seu primeiro
filme e participa do segundo. Desta vez
a cineasta preferiu por músicas pós
punk em contraposição ao estilo quase
cenógrafo do ambient de antes.
Figurino
O figurino,
ganhador do Oscar, foi inspirado nos
requintado doces da corte. Em tons
pastéis que vibram através da escolha de
tecidos como o cetim e estampas barrocas, integraram
perfeitamente a atmosfera rebuscada do
palácio de Versailles.
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