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A Pessoa é para o que Nasce (2007)

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Sinopse

São irmãs. São três. São cegas. Conceição, Maria e Regina viveram toda sua vida cantando e tocando ganzá em troca de escolas nas cidades e férias do nordeste do Brasil. O filme acompanha os afazeres cotidianos destas mulheres e revela suas curiosas estratégias de sobrevivência. Além de acompanhar a reviravolta que o cinema faz em suas vidas.

Ficha técnica:

Título Original: A pessoa é para o que nasce
País: Brasil
Gênero: Documentário
Direção:Roberto Berlinier
Elenco: Maria Barbosa, Conceição, Regina e Gilberto Gil
Duração: 84 min
Fotografia:
Jacques Cheuiche
Site oficial: www.apessoa.com.br
 

 
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A pessoa é para o que nasce
Documentário sobre a vida de três irmãs cegas no Nordeste do Brasil

Luisa Torres (7º período Unibh)
luisa.torresc@hotmail.com

Maria, Conceição e Regina são três irmãs do nordeste do País que passam suas vidas tocando ganzás e pedindo esmolas nas cidades e feiras da região. Realidade comum há alguns brasileiros. O que choca mesmo é que as três são cegas. Se é que existe destino, foi ele o responsável por cruzar o caminha das irmãs com o diretor de cinema Roberto Berliner.

Tudo começou durante as filmagens da série de TV “Som da Rua”, sobre músicos anônimos. Como na época, em 97, elas já não tocavam mais seus ganzás, a equipe tratou de providenciar para elas. Enquanto isso eles tiverem a oportunidade de conviver com as irmãs. Tempo suficiente para impressionar todos da equipe que estavam presentes e foi assim que nasceu a idéia de fazer o documentário sobre a vida delas. Um ano depois, quando voltaram a Campina Grande, Maria, conceição e Regina já estavam conhecidas como “as irmãs ceguinhas”, devido a repercussão que a série de TV deu a elas.

O documentário gira em torno da vida dessas cantoras anônimas e acompanhar o cotidiano, suas curiosidades etc. o efeito do cinema na vida das ceguinhas também é acompanhado. Durante as filmagens, tudo foi mostrado, em forma de documentário. Tudo foi feito, em sua maioria, com equipamento doméstico, pelo próprio Roberto, praticamente sem  nenhuma assistência. Indica assim tudo aquilo que é característica de um documentário: o registro.  O diretor não aparece nas imagens, somente a voz, quando ele conversa com as ceguinhas. O envolvimento entre equipe e personagens é tão grande que chega a ser retratado. O convívio e atenção que elas recebem, faz com que uma delas, se apaixone por Roberto.

O mais instigante e acredito que a equipe soube conduzir muito bem, é filmar pessoas que não tem domínio da sua própria imagem. As três não têm noção do impacto que uma imagem traz. Documentá-la é viver trabalhar na dificuldade de encontrar o limite de explorar a intimidade sem, no entanto, explorá-las além do que elas estariam dispostas a aceitar. Mas com naturalidade, elas foram muito espontâneas e as cenas escolhidas foram não só compatíveis com a realidade como tiveram imagens de bom gosto, não as deixando em situação ridicularizada. Algumas cenas foram criticadas e geraram polêmica, como quando uma das ceguinhas atende o telefone com ele de cabeça para baixo, provocando risadas na platéia.

A trilha sonora não poderia ser melhor e própria para o documentário. Nada mais justo do que ser as próprias músicas da ceguinhas, que durante o documentário, acabaram gravando um CD com Gilberto Gil. 

Engraçadas, as ceguinhas têm uma história de vida bastante difícil e dramática e o documentário mostra isso com propriedade. Nascidas numa família de camponeses sem terra, passaram a infância toda mudando de cidade e seguindo o pai que era alcólotra. A mãe para ajudar em casa, fazia artesanato e as ensinou a cantar nas portas de igreja para pedir esmolas. A morte do pai fez com que elas vivessem do canto.  A única irmã que casou foi a Maria Barbosa. E não foi só uma vez não. Foram duas, com deficientes visuais também. Em um dos casamentos teve Maria Dalva.

Em uma linguagem de fácil compreensão, o documentário conquista a todos pela simplicidade e carisma das personagens. A fotografia do documentário é linda e mostra não só a cruel realidade da caatinga brasileira, como belas paisagens do nordeste.

A última cena também é polêmica e quebra com preconceitos. EM uma bela praia deserta estão Maria, Conceição e Regina, nuas, vivendo uma liberdade e entrando correndo para tomar um banho de mar. Cena tão inocente como as três personagens. Elas aceitaram a idéia sem o menor problema, prova de o quanto elas se envolveram com um filme que ajudaram a construir mas que nunca poderão ver, so sentir.

O filme participou de vários festivais, dentre eles Festival do Rio, Festival internacional de documentário em Amsterdam e a Mostra Premiere Brazil, em Nova Iorque.

Saiba mais:

www.union.jor.br

Leia também:

- www.interfilmes.com.br
- www.apessoa.com.br
- www.adorocinemabrasileiro.com.br

 
 
 

 

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