Quem não arrisca
não petisca!
A
balzaquiana cantora Maria Rita,
lança um CD no estilo que ela chama de
“jovial” e “alegre”.
Ela que
já arriscou em outros estilos como forró
e frevo, agora então,
pede a benção pra passar pelo ritmo do
samba em todo um CD. Acredita que “é o
samba certo pra você cantar”, no entanto
“Samba Meu”, o terceiro CD da Maria Rita
e nome da primeira música do álbum, não
convence muito.
Na
primeira música Maria Rita parece querer
apresentar o seu mais novo disco. Nada
melhor do que a primeira faixa se chamar
“Samba meu”. A música nome do CD camufla
o samba bom que pode ser encontrado
alguns acordes depois. Músicas boas e
divertidas como “Corpitcho”,
“Maria do Socorro” e “Casa de Noca”
fazem valer a pena.
O CD não representa nenhuma postura
política da cantora, a não ser leve
afinetada em “Corpitcho” com “O mal
globalizou, o bicho tá pegando. E é a
guerra das desigualdades, a humanidade
lavando a roupa”.
Essa é
a música mais irreverente, letra mais
leve e recheada de gírias. É bem gostosa
de se ouvir, daquelas que grudam e dá
vontade de sair cantando.
As quatorze faixas do CD,
alternadas entre lentas e mais agitadas
não conferem o dinamismo necessário ao
que se propôs ser (samba!); bem que ela
avisou lá na primeira faixa: “Meu Samba
é de bossa e não de grito”. Sendo
assim, este terceiro CD, lançado dois
anos depois do segundo, chega ao mercado
com tiragem inicial de apenas
125
mil. Enquanto os outros dois, Maria
Rita e Segundo renderam 850
mil e 500 mil, respectivamente.
Resquícios
O samba
que tangencia todo o trabalho é repleto
de músicas lentas, as influências do
surdo, tantan, cavaco e
pandeiro ficam da metade das músicas
para o final. Parte disso é pela
insistência em temas que tratam de amor.
O público pode ficar surpreso quanto aos
assuntos das músicas que continuam
persistindo no amor, apesar do estilo
samba ser bem diferente do que Maria
Rita fazia nos outros álbuns. Um exemplo
é “Pra declarar minha saudade”,
música mais curta do CD, no estilo
chorinho. Mas, algumas músicas
conseguem tratá-lo de forma mais
divertida e menos previsível como “Tá
perdoado” e “Maltratar, não é
direito” que têm mais levadas de
gafieira. Contudo essas músicas sempre
têm algum pano de fundo de alguma mulher
forte e orgulhosa que, mesmo perdendo o
amor, sabe se dar o valor e ainda dá uma
lição de moral ao homem que a fez
sofrer.
A
cantora fez muito bem em arriscar num
estilo que ela não tinha feito ainda,
não profissionalmente em um CD só.
Poderia ter arriscado mais, recheado
mais de elementos de samba,
desvencilhado um pouco destes temas e
falar mais do dia-a-dia.
O samba pede mais leveza, brincadeira,
molejo tupiniquim.
Com isso não tomou a cara e, muito
menos, deixou o conhecimentos musicais
da cantora
mais
aflorados. Talvez uma tentativa rasa
entre Bossa Nova e
Samba-Canção,
devido ao tom suave e
intimista.
Boas
referências não faltam. “Samba Meu”
é sim bem elaborado, foi co-produzido
pela cantora e produzido por Leandro
Sapucahy (que já trabalhou com nomes
como, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e
Marcelo D2). Neste, ela “trocou” o
compositor
Marcelo
Camêlo (ex- Los Hermanos)
pelo trabalho do
compositor-sambista Arlindo Cruz,
responsável por 6 dos 14 sambas
espalhados pelo disco. Tem ainda a
participação de Mart’nália e de seu
filho Antônio de 3 anos. Além de da
presença de Gonzaguinha pela voz de
Maria Rita em “O Homem Falou”,
com a participação da Velha Guarda da
Mangueira. A regravação de “Mente ao
Meu Coração” foi originalmente
interpretada por Paulinho da Viola.
Maria
Rita, que trocou São Paulo pelo Rio de
Janeiro deixa a irreverência por conta
da capa
sensual e sexy. A fotografia traz uma
informação visual muito interessante,
pena que todo molejo não reflita na
música. Além disso, outras mudanças
podem ser percebidas na aparência física
(loira, mais magra e sempre com roupas
decotadas).
“Na
casa de
Noca”
fecha o disco quando o couro come e
mostra que a personagem passa uma imagem
de mulher forte. Ao final ela dá seu
aviso:
é sinal que a dona quer respeito.
Valeu o esforço, o CD pode ser uma boa
alternativa
de
presente!
Curiosidades
A cantora já ganhou o
Grammy latino em três categorias:
revelação do ano, melhor disco de MPB e
melhor canção brasileira. Além do Prêmio
Abril de Jornalismo na Matéria "As
Aparências Enganam" - Categoria Perfil
Revista BIZZ, APCA (2003) Revelação e
Prêmio Faz a Diferença, em 2004 na
Categoria Música do Prêmio Multishow, em
2004 como Melhor Cantora do Prêmio TIM e
em 2004 como Revelação e Melhor Cantora
(Voto Popular). O terceiro álbum da
filha da cantora Elis Regina com o
pianista César Camargo Mariano, “Samba
meu”, já vendeu mais de 100 mil cópias
desde que foi lançado, em setembro de
2007.
Saiba mais:
-
Site
oficial:
Maria Rita
-
Site do produtor:
Leandro Sapucahy
- Site do
compositor:
Arlindo Cruz
Leia também:
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Rita seduz e depois diz que está cansada
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interpreta sambas em SP
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prepara para lançar clipe
Outras criticas do CD
Maria Rita:
-
Revista O Grito
-
The Music Face
-
O Busilis