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CD Matizes (2007)
 

        

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Sinopse

Matizes é a décima oitava obra inédita do cantor lançada no final de 2007. O CD foi considerado a obra mais autoral de Djavan por muitos críticos de música. O disco, com 12 canções,  é o terceiro álbum lançado pela gravadora do próprio cantor, a Luanda Records.

Ficha técnica:

Título: Matizes
Artista:Djavan
País: Brasil
Distribuidora: Sony BMG.
Site oficial: http://www.djavan.com.br
Estilo: MPB
Ano de Lançamento: 2007

Músicas:

 

1. Joaninha                                                       

2. Azedo e Amargo                                         

3. Mea-Culpa                                                  

4. Imposto                                                       

5. Delírio dos Mortais                                    

6. Louça Fina                                                 

7. Matizes

8. Por uma Vida em Paz

9. Desandou 
10. Adorava me Ver como Seu

11. Pedra 

12. Fera

 

 
Após a crítica, você compraria o novo CD de Djavan?

Sem dúvida
Não
Pensaria no caso. Ouviria algumas músicas do disco antes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Simplesmente Djavan
Matizes, novo Cd de Djavan, traz, mais uma vez, a musicalidade rara do cantor em roupagens reinventadas

Josiane Dias (7º período Unibh)
josi0310@yahoo.com.br


Novidades? Sim. A começar pela capa. “Cadê o Djavan?” pode ser a primeira pergunta feita por quem decidir comprar o novo disco do cantor, principalmente se for um fã incondicional ou um observador atento.

A ausência da imagem de Djavan na capa do CD é no mínimo estranha aos olhos do público fiel. São 31 anos de carreira, dezoito álbuns e mais de 100 músicas lançadas e a primeira vez que Djavan não estampa o encarte de seus discos.

O desgaste é natural, afinal os anos passam para todo mundo, talvez seja por vaidade, mas ela já foi tema de sua última obra, mais intimista e voltada para o mundo do artista. Fato é que, em Matizes, Djavan privilegia a música e deixa isso claro a partir da capa, esta é a razão. A diversidade rítmica e a miscelânea de gêneros continuam, Matizes traz músicas com tons e formas diferenciadas desde as letras às melodias.

Além da capa, Djavan ousou ao fazer uma música-protesto em contraste com ritmo e timbre utilizados comumente. Uma forma de mostrar que é possível criticar seriamente sem insultos, gritos, urros descomedidos e com qualidade sonora.

O cantor brinca com as palavras em Imposto e ataque à política exercida no país quando diz “Pra quem vai tanto dinheiro/ Vai pro homem que recolhe o imposto/ Mas o homem que recolhe o imposto/ É o impostor”.

Matizes é uma coleção de canções que falam do cotidiano de quem se dispõe a observar a vida. A originalidade do disco vem da abordagem dada às letras combinadas com a melodia criada.

O amor é a principal vertente do trabalho, porém tratado com nova roupagem, ora mais agressivo, ora mais delicado ditado pela melodia. Djavan não deixa de lado temas singelos voltados para a natureza.  O que une as músicas do disco é justamente o fato de todas falarem sobre a vida na sociedade.

Em relação ao álbum anterior, Vaidade, Djavan se mostra aberto às questões do mundo, mais politizado e crítico. Definir o gênero musical  de Djavan sempre foi um problema e em Matizes a peleja permanece. Rock, jazz, samba, bossa nova, soul, funk, blues ou, simplesmente, Djavan.

Ao ouvir Matizes é possível perceber certas peculiaridades na criação das canções. Na mesma linha que Imposto, o clamor pela paz também tem lugar na nova obra do cantor.

Com um jogo melódico, Djavan brinca com arranjo e timbre na música Por Uma Vida Em Paz. Para acentuar a gravidade da guerra vivenciada no mundo, as palavras que demonstram as conseqüências do descaso com o planeta – mal, miséria, dano etc – são faladas em tom mais grave.

O estilo, pouco definido, mistura ritmos e tendências que se transformam no jeito de Djavanear, definido por Caetano Veloso. Em Matizes, Djavan combina instrumentos para construir a história contada por cada canção. Percussão, instrumentos de sopro, cordas e bateria fazem a narrativa, como nas rádio-novelas, em que o som é a base de tudo, até mesmo a frente das falas, enfatizam momentos marcantes e definem o sentido da poesia escrita.

Os fatos cantados podem ser vivenciados através da melodia que cresce, se torna forte em certos períodos e amenizam quase inexistentes em outros, o que é definido pela harmonia criada em cada composição.

Exposto como o disco mais autoral de Djavan, Matizes é o terceiro produto totalmente gerenciado pela gravadora do cantor, a Luanda Records, o que lhe garante total controle dos processos de produção da obra.

Sendo assim a autoria ligada, a princípio, à observação do cantor, aos acontecimentos e pela relação das músicas a fatos que dizem respeito à vida dele - revelados pelo cantor em entrevistas como o sítio da música Joaninha e a vivência  dele no Rio de Janeiro, em Delírio dos Mortais - , também representa a autonomia presente em tantas outras obras realizadas pelo artista.

O novo álbum de Djavan sem dúvida é mais uma obra especial do cantor, pelas letras e, ainda mais, pela sonoridade. Quem espera ouvir algo parecido com o CD anterior  se depara com a musica Fera, a única de Matizes que se aproxima do jeito mais intimista demonstrado por Djavan em Vaidade.

Apesar da miscelânea musical, Matizes é um disco mais conciso. Vai do leve ao agitado, numa seqüência crescente para cair  na suavidade de Fera, uma música grande no tema, conteúdo e no tempo, que merece destaque. Mais uma vez, a ousadia de Djavan se faz presente ao gravar uma canção, com mais de sete minutos, nos dias atuais quando tudo gira em torno da rapidez. O conhecimento do cantor e a beleza de seu trabalho se traduzem nesta música que encerra Matizes com capricho e zelo.

O álbum, como tudo, não agrada a todos, principalmente aos revolucionários incondicionais que classificam Matizes apenas como mais um disco sem nenhuma novidade e aos nostálgicos inveterados que sonham reviver os tempos de Oceano, Lilás, Meu Bem Querer e companhia limitada. Agradando ou não, é inegável a qualidade da produção poética e musical do CD.

Nuanças, tons, cores, enfim, Matizes são formas de expressar a diversidade sonora  encontrada no mais recente disco de Djavan. Ouvir Matizes é sentir a continuidade e o regresso, uma musicalidade rara, às vezes, indescritível, mais sensível ao coração do que ao ouvido.

Saiba mais:

- www.djavan.com.br

Leia  também:

- "Protesto de ocasião"
-
"As mesmas cores da música de Djavan"
- "Outros tons de Djavan"

 

 
 
 

 

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