Amor além das
fronteiras
Filme
israelense discute o homossexualismo em
meio a um cenário de guerra
Isabella Almeida
(7º período - Jornalismo/Uni-BH)
isacrisjornalismo@yahoo.com.br
Intolerância, guerra e homossexualismo:
esses são apenas alguns dos polêmicos
temas retratados em Bubble (Há-Buah,
Israel/França 2006). Diferente dos
muitos filmes já produzidos sobre guerra
e homossexualismo, a produção, ao
misturar os assuntos, consegue uma
construção que foge ao lugar comum,
comovendo e instigando o espectador.
O filme,
dirigido por Eytan Fox, retrata a vida
de três amigos que vivem em Tel Aviv –
conhecida como bolha, por abrigar os
mais diversos tipos de pessoas que fogem
da exclusão religiosa, política e social
da região.
Noam (Ohad
Knoller) é um israelense homossexual
funcionário de uma loja de discos. Ele
divide um apartamento com dois amigos,
Lulu (Daniela Vitzer), uma bela jovem
heterossexual que trabalha como
vendedora de cosméticos e Yelli (Alon
Friedman), gerente de um café, também
homossexual. Eles vivem em clima de
harmonia e felicidade, parecendo
distantes da guerra e do preconceito que
assolam os arredores da cidade onde
vivem. Tudo muda quando Noam é enviado
para servir o exercito em um posto
militar de fronteira. Lá ele conhece e
se apaixona por Asraf (Yousef Joe’sweid),
palestino que vive às voltas com o
casamento de sua irmã com um dos Líderes
do Hamas.
São
personagens distintos, que se completam.
Noam com seu ar sério e sensível
conquista o espectador, que logo começa
a torcer por ele. Asraf é o que precisa
de proteção, o mais frágil diante do
contexto familiar e social em que vive.
Yelli parece mais distante desses
conflitos - talvez por seu estereótipo
de gay alegre -, mas que no fundo apenas
se afasta dessa realidade como forma de
proteção. E Lulu, alegre e romântica,
que com as frustrações da vida amorosa
pessoal, investe no apoio ao amor de
Noam e Asraf.
A
história, que começa meio morna, dá um
salto de qualidade quando Asraf passa a
viver escondido no apartamento de Noam
em Tel Aviv. O palestino começa a se
passar por um israelense, mudando seu
jeito de falar e vestir - até as roupas
servem de incentivo a intolerância. Tel
Aviv, tida como refugio das que querem
liberdade, também se mostra
preconceituosas.
Além de
viver escondido, Asraf vive a pressão de
precisar voltar – sem ser descoberto – à
sua terra para o casamento da irmã, de
quem tanto gosta. A ela, ele tenta
revelar sua opção sexual. Por
preconceito, ou na tentativa de afastar
o irmão do sofrimento já previsto, ela
ignora o fato. Mas se o medo era grande,
ele aumenta, ainda mais quando, seu
cunhado descobre seu homossexualismo, é
aí que ele utiliza o poder do Hamas para
separa Noam e Asraf, utilizando, claro,
da violência. Nesse instante a guerra
passa a ter ainda mais destaque na
trama, que se desenrola para um fim
emocionante.
Além de
uma boa historia, Bubble conta com um
elenco de primeira e um grande diretor:
Eytan Fox. O americano, radicado em
Israel, dirigiu em 2003, Yossi e Jagger.
A obra, que retratou a história de Yossi,
militar do exercito israelense que se
apaixona por Jagger, seu subordinado,
tem algumas características próximas AA
desta produção mai recente. Mas o
primeiro filme, também protagonizado por
Ohad Knoller (Yossi), discute menos os
aspectos políticos e mais a historia de
amor entre os dois. Em Bubble, ele da
ênfase a discussões políticas e destaca
a guerra e o homossexualismo. Esse é um
drama, o outro era um romance.
A maior
qualidade de Bubble é exatamente
misturar ao drama, romance, comédia e
até suspense e ação. Assim, o diretor
consegue provocar no espectador uma
série de reações. A produção só peca ao
explorar muito as cenas de sexo, que às
vezes chegam a constranger o espectador
– principalmente se ele for muito
conservador -, desviando sua atenção.
Algumas cenas chegam a ser
desnecessárias.
Apesar
disso, o filme consegue cumprir muito
bem sua missão. Propõe ao espectador uma
reflexão sobre o mundo em que vivemos e
sobre nossos preconceitos. Quem souber
aproveitar pode apreender grandes lições
para a vida com o filme. Por mais que a
historia se passe do outro lado do
mundo, e que o cenário de guerra se
pareça tão diferente do nosso, talvez
haja muito mais semelhança de que
possamos ver.
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