Vítimas
do preconceito
Fernanda
Alves Ferreira
(7º período Unibh)
"Um gigante entre os filmes." - The Film
Daily
"Um filme de beleza e sensibilidade.” -
Variety
"Uma encantadora história de amor. Um
dos melhores filmes do ano" - Los
Angeles Mirror News
O filme
Sayonara (1957) conta duas histórias de
amor e a busca pela liberdade de amar.
Assistir ao filme é ter sua experiência
emocional despertada, onde a riqueza das
imagens é exibida de forma suave, tanto
quanto a textual. Pode-se perceber isso
na abertura do filme que é esplendorosa.
As músicas são sensíveis e fazem parte
da cultura japonesa. O título do filme,
Sayonara, é uma música homônima que toca
no princípio, meio e fim, a palavra
significa adeus.
A interpretação de Marlon Brando é
intensa e emocionante, assim como todo o
filme. Como protagonista deste drama
romântico, Brando recebeu indicação ao
Oscar e é o componente principal de
Sayonara. Brando firma mais uma vez sua
fama de sex-appeal, mas agora com um
porém, não foi necessário o uso de
camisetas coladas ou um papel rebelde,
apenas carisma e ternura.
Baseado no romance de James Michener,
Sayonara tem como diretor Joshua Logan,
cineasta e roteirista norte americano,
cujo um de seus maiores sucessos foi
Nunca fui santa (1956), encenado por
Marylin Monroe e Don Murray.
Sayonara é um clássico do cinema norte
americano, vencedor de três Oscar, conta
que na Guerra da Coréia os militares
americanos eram impedidos de se
relacionarem com as coreanas, entretanto
cerca de dez mil soldados ignoraram esta
ordem e chegaram a se casar com moças
japonesas. Segundo a legislação
americana da época, uma vez casado, a
mulher japonesa não poderia ir com o
marido para os EUA, caso ele fosse
transferido. Este artifício era muito
usado, pois os militares acreditavam que
separando os casais dessa forma, eles se
arrependeriam de ter casado.
A Guerra da Coréia iniciou-se em 1951 e
foi um conflito armado de ampla
dimensão. A Coréia sofreu pressões para
adotar o sistema socialista em todo seu
território. A região sul resistiu e, com
o apoio militar dos Estados Unidos,
defendeu seus interesses. A guerra
termina em 1953, com a divisão da Coréia
no paralelo 38. A Coréia do Norte ficou
sob influência soviética e com um
sistema socialista, enquanto a Coréia do
Sul manteve o sistema capitalista.
O Major Lloyd Gruver (Marlon Brando), um
veterano no serviço militar, herói da
Força Aérea, se encontra dividido entre
o amor de sua noiva, Eileen Webster,
filha do General Webster; a lealdade e o
confronto com a Força Aérea dos EUA; e o
romance com uma japonesa, Hana-Ogi.
Existe ainda o preconceito dos
japoneses, que também, desaprovam o
casamento com americanos, principalmente
por Hana-Ogi ser a mais famosa atriz e
dançarina japonesa que também deve
lealdade à companhia artística que a
empregou. O filme se passa na cidade de
Kobe.
Heitor Capuzzo parece falar sobre o
filme em seu livro “Lágrimas de Luz, o
drama romântico no cinema”, quando
afirma:
| |
“Há uma estranha e subjetiva
urgência no drama romântico. O amor
surge de forma repentina e sua
declaração precisa dar-se quase que
de imediato. Os amantes têm pressa,
como numa corrida contra o tempo. A
única justificativa ao ritmo
alucinante dos fatos impostos por
eles é o que sentem. Por isso mesmo,
há um hiato entre a ação que
pretendem e a reação da sociedade à
qual pertencem. O amor terá de
passar por duras provas, pois o
pragmatismo da vida possui seu
próprio ritmo, distinto daquele
proposto pelos amantes. Uma vez
declarado o amor, a reação externa é
imediata, pois os amantes provocam o
meio social em que vivem, ferindo as
rígidas normas e regras que, antes,
não só aceitavam como seguiam
exemplarmente. A declaração do amor
surge como uma mutação na trajetória
inicial prevista a cada um dos
amantes.” (pg. 75) |
A
narrativa corresponde a um melodrama
magnífico, um filme forte e comovente,
que divulga uma critica enérgica ao
preconceito vivido pelos protagonistas.
Há também um outro casal que se destaca
na trama, o Recruta Joe Kelly e Katsumi,
apaixonados, eles se casam, mas sofrem
tanto com as pressões militares que
cometem um gesto destemido.
Sayonara é comparável ao filme “Suplício
de uma saudade”, produzido em 1955, que
igualmente trata a dificuldade de união
entre raças distintas. O filme se passa
em Hong Kong, durante a Guerra da
Coréia. A narrativa é a história de um
casal, um correspondente americano e uma
médica eurasiana, que se apaixonam
perdidamente e vivem o dilema entre
viver essa paixão ou se separarem pela
reprovação e preconceito da sociedade.
Considerado um filme brilhante de
Hollywood, onde as cenas de romance são
inesquecíveis.
O filme Sayonara apesar de se passar
durante a Guerra da Coréia, não mostra
cena alguma de guerra ou uma só batalha.
Portanto, para quem curte ação, não
encontrara nesse longa. Com tudo,
apresenta muito da cultura japonesa,
como: o teatro Kabuki, um teatro de 300
anos, onde só havia homens na encenação,
inclusivo representando mulheres, seu
ator mais famoso era Nakamura, criado
desde criança para ter a graça de uma
mulher e manter o poder masculino, as
mulheres foram banidas do Kabuki no
século XVII; a Companhia de dança
Matsubayashi, que possui as garotas mais
famosas do Japão, cantam, dançam,
representam, fazem todos os papeis sem
homens (Hana-Ogi faz parte dessa
companhia); existe ainda, o Festival
Tanabata que é a noite do amor e o
Teatro Osaka, apresenta show de
marionetes.
É nítida a sensação de preconceito e da
austeridade militar americana. Há uma
cena em que o Capitão Bailey pretende
levar a namorada japonesa para almoçar
em um Hotel, entretanto, ele é impedido
de entrar acompanhado, impedido pelos
militares.
A partir de 1920, com o progresso dos
grandes estúdios, surge quase que
espontaneamente o Star system, um
sistema de produção de astros do cinema
que cativam e fascinam os espectadores.
São artistas que caem no gosto do
público e se transformam em iscas para o
sucesso das produções, Marlon Brando é
um grande exemplo do Star system. O mito
e a sedução no cinema são a fabrica de
sonhos imaginários.
Marlon Brando passou pelo cinema e nunca
será esquecido, tanto pelos papéis
inesquecíveis como pela vida pessoal,
cercada de tragédias e escândalos.
Ganhou dois Oscar, em “Sindicato de
ladrões” (1954) e “O poderoso chefão”
(1972) e recebeu outras sete indicações,
inclusive por Sayonara. Mas, memorável
foi seu segundo filme “Uma rua chamada
pecado” (1952), lembrado por toda uma
geração. É considerado uma das maiores
lendas do cinema de todos os tempos.
Curiosidades
Marlon Brando não era a primeira
escolha para o papel do Major Lloyd
Gruver; ele foi oferecido
primeiramente a
Rock Hudson.
De acordo com Turner Classic Movies,
William Holden foi
originalmente escalado para o papel de
Major Gruver, mas abandonou o projeto
para participar de
The Bridge on the River Kwai
(1957).
Ainda de acordo com Turner Classic
Movies, Marlon Brando insistiu em
fazer o Major Gruver com
sotaque sulista, contra a
vontade do diretor e dos produtores.
Saiba mais:
-
www.cineplayers.com
-
www.65anosdecinema.pro.br
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