White
Stripes de roupa nova
Lucas Buzatti (7º período Uni-BH)
lbuzatti@yahoo.com.br
Icky Thump
foi um dos grandes lançamentos de rock
de 2007. Um disco de músicas estranhas,
que unem uma gama de influências à genialidade de Jack White. Para quem
apostava na estagnação da dupla, devido
ao depósito de força criativa de Jack em
seu bem sucedido The Ranconteurs, o
White Stripes deu um delicioso susto: o
novo álbum é um dos mais criativos da
carreira.
Para quem acompanha as novas cartadas de
Jack, uma das mais importantes
cabeças-pensantes do rock moderno, o
vocal e os solos criativos chamam a
atenção logo no primeiro momento.
A semelhança entre as músicas do disco e
o som do Led Zeppelin parece ser
incontestável, mas percebe-se, com
facilidade, influência de bandas como
Rolling Stones e Deep Purple. Nas
músicas mais pesadas, rápidas e
distorcidas a sonoridade lembra o punk
rock. Enfim, o disco é uma salada de
influências, mas com o tempero de gosto
exótico colocado por Jack White.
Meg cumpre seu papel, o de tornar o som
do WS mais intrigante, pela simplicidade
com que as músicas são estruturadas,
devido à sua inabilidade proposital com
o instrumento. Contudo, algumas viradas
são boas, mas não passam do básico. Os
carros-chefe são voz e guitarra; a
bateria só acompanha.
Em algumas músicas, como “Catch Hell
Blues” e “Effect and Cause“, Jack toca
um violão “bicho-grilo”, que faz lembrar
Jimmy Page nas músicas mais tranqüilas
do Led. “Conquest” parece uma paródia de
uma música latina, com uma releitura
rock’n’roll, e “Prickly Thorn, But
Sweetly Worn”, de uma música indiana. A
segunda, inclusive, assim como em “St.
Andrews”, conta com a presença de um
instrumento novo para os fãs da dupla, a
gaita de foles.
"You Don’t Know What Love Is (You Just
Do As You’re Told)” é um som tranqüilo,
de cantar junto, mas criativo e bem
feito. “Rag and Bone” é a mais rock’n’roll
do CD, dividindo o posto de uma das
melhores com “Little Cream Soda”, em que
a guitarra chega a lembrar até alguma
coisa de heavy metal.
O vocal de
Jack parece doentio em algumas músicas,
o que, combinado com a guitarra suja e a
bateria simples, remete ao punk rock. Em
“I’m Slowly Turning Into You” e “A
Martyr for My Love for You”
o teclado traz à mente alguma lembrança
de Deep Purple.
O disco é contextual e musicalmente
forte, e o som do WS parece estar mais
amadurecido. A gravação e a mixagem não
deixam nada a desejar e as linhas de
guitarra e vocal são bem estruturadas e
conseguem atingir altos níveis de
complexidade e simplicidade, na mesma
proporção.
Em alguns momentos, porém, o disco
parece tornar-se cansativo. Talvez
porquê, por ora, os experimentalismos de
Jack ficam menos audíveis e podem
incomodar o ouvinte. Tais pontos, porém,
não chegam, nem de longe, a obscurecer a
qualidade do álbum como um todo.
Icky Thump
é um disco para ser ouvido muitas vezes,
para acostumar os ouvidos, pouco a
pouco, com o som diferente. Na mesma
proporção, tem músicas que pegam
facilmente, que trazem refrões fáceis,
que ficam na cabeça. Isso acontece
também com alguns riffs fortes,
marcantes e dançantes.
A impressão que não deixa de ficar,
depois de ouvir o disco, é que Jack
White está no auge de sua criatividade,
brincando com a guitarra e com linhas
vocais que vão de simples leituras
faladas a gritos esganiçados. Para quem
duvidou, o White Stripes mostrou que é
possível manter o preto, o branco e o
vermelho característicos, mas trocando
de roupa a cada novo disco.
Curiosidades:
-
Icky Thump foi gravado em apenas
três semanas: o mais demorado de todos
os álbuns do White Stripes (!).
- O
título do álbum surgiu de um trocadilho
com a expressão inglesa "ecky-thump",
usada em momentos de surpresa.
 |
- A
banda
lançou o álbum em uma edição limitada em
um pen drive de 512 MB, em duas
versões: uma estampada com um
desenho de Jack, e outra de Meg. |
Saiba mais:
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