"Ônibus
174": O triste retrato do Brasil
Documentário de José Padilha narra
o seqüestro de um ônibus na zona sul
do Rio de Janeiro. O incidente aconteceu
no dia 12 de junho de 2000 e foi filmado
e transmitido ao vivo, chocando todo o
país.
Luana Espeschit
(7º período UniBH)
luanaespeschit@oi.com.br
Moro em um
país que vive em guerra civil (embora os
governantes teimem em dizer o
contrário). Todos os dias fatos bizarros
vêm ao conhecimento da sociedade através
da mídia. É difícil saber se já estamos
acostumados ou se o show de horror ainda
nos surpreende. E por falar em show, o
documentário Ônibus 174 é um
espetáculo a parte.
A obra de
José Padilha narra de forma
impressionante o seqüestro que aconteceu
no Rio de Janeiro, em 12 de junho de
2000, e foi transmitido ao vivo para
todo o país. Foram quase cinco horas de
angústia. É de dar inveja a qualquer
novela mexicana!
Ironias a
parte, o espectador poderá perceber o
absurdo que foi este seqüestro na mídia.
Um exemplo é a cena em uma refém escreve
da direita para a esquerda a frese: “ele
vai matar geral”, para todo o público e
jornalistas de plantão poder ler e
filmar.
São muitos
os holofotes e alguém invisível quer e
precisa aparecer. Este alguém é Sandro
Nascimento, um menino pobre, que aos
seis anos assistiu atônito (assim como
nós assistimos ao seqüestro do coletivo)
a mãe morrer assassinada. Sem rumo e sem
família, este jovem vai morar na rua e a
vida lhe apronta mais uma vez. Sandro é
um dos poucos sobreviventes da chacina
da Candelária. Sandro é o seqüestrador
do ônibus, mas é também o retrato de um
país que não liga para seu povo, que não
oferece escolha entre o bem e o mal, e
que gera monstros.
Ao mesmo
tempo em que sinto pena do seqüestrador,
penso em quantos Sandros o Brasil tem.
Se todos que tivessem uma vida difícil
entrassem para o mundo do crime, nossa
população seria constituída basicamente
de marginais. Por isso, deixo para o
público responder se existe ou não
justificativa para a ação desse menino.
Outra
coisa que o filme deixa bem claro, mas
que não é novidade para ninguém, é o
despreparado da polícia no Brasil. Para
começar, não dá para saber direito se
quem tirou a vida da menina usada como
refém: a polícia ou o bandido.
Em todas
as produções de José Padilha é possível
notar sua estreita relação com o
ambiente político em que ele vive. Seus
filmes e documentários sempre abordam
questões sociais, temas que preocupam e
incomodam a sociedade.
A única
coisa que posso garantir para você,
espectador, é que o Ônibus 174 é
um ótimo filme. Este é com certeza um
documentário que mexe a gente, e que
vale a pena assistir.
Curiosidades
Este é o primeiro filme de José
Padilha. O documentário recebeu quatro indicações ao Grande Prêmio
Cinema Brasil, nas seguintes categorias: Melhor Documentário, Melhor
Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Som. Ganhou os prêmios de:
Melhor Documentário, no Festival Internacional de Cinema de Miami
e no Festival do Rio BR, e venceu o Troféu Bandeira Paulista
da categoria.
Saiba mais:
-
www.adorocinema.com.br
-
www.interfilmes.com
-
www.epipoca.uol.com.br
-
www.cineclick.uol.com.br
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passa no cinema"
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