In Rainbows chega as lojas
Novo álbum da banda britânica
Radiohead segue a tendência de obras
anteriores, ou seja, criatividade e
inovação são vistas mais uma vez.
Hugo Gualberto
(7º período Unibh)
hugogualb@hotmail.com
É preciso alguma disciplina e atenção
para transcender a barreira do que,
superficialmente, soa estranho e comum
ou psicodélico e clichê ao mesmo tempo.
Porém, feito isso, você estará pronto
para desfrutar uma das mais belas obras
musicais do ano de 2007. O sétimo álbum
da banda britânica Radiohead, In Rainbows, chegou (legalmente) aos
ouvidos dos fãs no último dia 10 de
outubro em uma versão digital para
download. Aqueles que já tiveram a sorte
de apreciá-lo puderam ouvir um Radiohead
mais maduro que, por ora, parece ter
abandonado os “experimentalismos”
presentes em CDs anteriores para uma
sonoridade mais clássica, porém rica em
harmonia e criatividade.
Sempre que
uma obra faz barulho demais quando é
lançada, surge o medo de que o trabalho
do artista não corresponda com as
expectativas criadas. O novo cd do
Radiohead causou um certo burburinho na
Internet, não pela qualidade de sua
obra, mas pela iniciativa do grupo de
disponibilizar o cd para download pelo
preço que o consumidor quisesse pagar.
Ou seja, aquele bordão das Casas Bahia,
“Quer pagar quanto”, caberia
perfeitamente aqui. Resultado: muitos
pagaram U$ 0.00 pelo disco,
entretanto houve gente disposta a dar
mais de mil dólares pela obra. Contudo,
o medo de alguns é que isso parecesse um
marketing que tiraria a atenção de uma
obra fraca, pensamento considerado uma
heresia hoje.
15 Step é a faixa que abre o cd.
Tudo começa com apenas umas batidas
eletrônicas que poderiam ser feitas em
um PC doméstico por qualquer um que
tivesse uma noção mínima de ritmos
eletrônicos. Porém aos dez segundos de
música, toda sombra de amadorismo é
deixada de lado. O vocal de Thom Yorke
se apresenta de forma crua, chamando toda
a atenção para si e para o desabafo que
ele manifesta na letra, de uma forma que
podemos dizer: calma. Aos 40 segundos é
a vez de Jonhy Greenwood aparecer com
seus acordes que, de longe, até lembram um
blues bem tocado, para completar
harmoniosamente a música. Junto com a
guitarra de Jonhy, seu irmão Colin
Greenwood também dá as caras com o seu
baixo que aparecerá melhor definido no
meio da música em presente escala.
A segunda
faixa do álbum, Bodysnatchers,
começa com uma guitarra distorcida, que
de uma certa forma diz: este álbum
também é rock. Não um rock pesado, cheio
de berros e solos virtuosos, longe
disso. Porém, além da guitarra distorcida, outros elementos deste gênero musical
estão presentes, mesmo que aos olhos de
muitas pessoas, estejam tímidos. O vocal
de Thom Yorke esboça um princípio de
rebeldia, mas permanece em tom que
transmite uma certa angústia.
O disco segue com as
faixas Nude, Weird Fishes/Arpeggi,
All I Need, Faust ARP, Reckoner, House Of
Cards, Jigsaw Falling Into Place e
Videotape. Esta penúltima
pode ser uma das que mais chama a
atenção no álbum. Nesta canção o vocal
de Thom Yorke segue um ritmo contínuo na
mesma linha que o instrumental, cantando
frases curtas e de fácil absorção, até o
momento que parece explodir com uma
incrível mudança no modo que canta.
Contudo, In Rainbows pode parecer
estranho em um primeiro momento, fato
perfeitamente normal quando o assunto é
Radiohead. Porém, sua digestão parece
ser mais fácil do que de obras anteriores
como o excelente e experimental Kid A
e o épico Ok Computer. Seu
conteúdo sonoro talvez não seja o mesmo
destes trabalhos, mas, quando você menos
esperar, já estará tomando doses diárias
de In Rainbows.
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